Cozinhando para bebês: a primeira papinha

papinhaHoje, resolvi escrever este post, sobre cozinhar para bebês, porque algumas pessoas vieram me perguntar como é que fiz Beatriz comer tão bem em tão pouco tempo. Para ser bem sincera, acho que sou uma mãe de sorte. A maioria dos problemas que as outras mães enfrentam com muita intensidade, eu simplesmente desconheço. Por exemplo, fazer o bebê dormir à noite toda. Como já disse diversas vezes, Bia dorme à noite inteira desde os 15 primeiros dias de vida.

Mas vamos lá. Fiz como a pediatra falou, um alimento de cada vez para aprendermos os gostos da criança e, quiçá, descobrir alguma alergia alimentar.

Se você está começando agora, sugiro que faça como eu. Inicie com uma fruta uma vez ao dia, no segundo dia a mesma fruta duas vezes; No terceiro dia, escolha outra fruta e alterne com a anterior. Assim, o bebê já começa a acostumar-se com outros sabores, mas sem ser bombardeado. Há quem oriente dar o prazo de uma semana para cada alimento. Fica a seu critério.

Você não precisa ser um mestre cuca para fazer comidinha para seu bebê. Além de não ter um paladar muito aguçado, o bebê não deve ser exposto além do natural. Ou seja, quanto mais fresco e puro o alimento, melhor.

Para sua primeira papinha salgada sugiro a papinha de batata:

  • Um batatinha inglesa
  • Uma colher de cebola picada (muito bem picada)
  • Uma colher rasa de azeite de oliva

Refogue a cebola apenas com água. Quando ela estiver com aquela aparência aguada, meio transparente, refogue levemente a bata cortada em cubos. Acrescente água e deixe cozinhar. Quando a batata estiver molinha, amasse com um garfo até virar uma pastinha. Despeje o azeite e sirva. Observe que chamei a papinha de salgada, mas ela não leva sal. É isso mesmo!

Insista com esta papinha por uma semana. É simples de preparar e não choca o bebê com um sabor muito complexo.

Depois que o bebê já estiver familiarizado, experimente, além da batata, colocar uma cenoura na comidinha dele. Vá alternando com outros ingredientes.

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Alimentação do bebê | inserindo sólidos

O recomendado é que só comece a inserir sólidos na dieta do bebê por volta dos seis meses. Mas, em alguns casos – como o da Bia – é preciso começar antes. Os motivos são diversos, insuficiência de produção de leite da mãe, o retorno da mãe ao trabalho e o tamanho do bebê. Independente do motivo, é preciso saber como proceder com certa antecedência.

Beatriz comendo e assistindo à Galinha Pintadinha

Beatriz comendo e assistindo à Galinha Pintadinha

No caso da Bia, comecei a inserir sólidos na dieta dela por recomendação da pediatra. Fui buscar orientação sobre quantos mls de leite materno ela deveria tomar por dia, já que eu estava prestes a retornar ao trabalho e ela com 4 meses (eu pretendia seguir a recomendação de aleitamento materno exclusivo até os 6 meses) e precisava saber quanto eu deveria deixar ordenhado para ser consumido diariamente. A pediatra fez as contas e disse “Jéssica, você precisa ordenhar 1 litro de leite por dia para alimentar Beatriz”. O que é impossível! Eu teria que parar diversas vezes o trabalho para isso. Produzir isso, até produzo, mas não teria como coletar. A solução foi iniciar a dieta com sólidos.

A orientação da pediatra foi a seguinte:

Primeiro dia – oferecer uma fruta pela manhã
Segundo dia – oferecer uma fruta pela manhã e outra à tarde
Terceiro dia – oferecer uma fruta pela manhã, papinha salgada* no almoço e uma fruta à tarde.

A pediatra disse que a criança pode comer de tudo, atentando-se para a forma que ela vai ingerir e a probabilidade do alimento dar algum tipo de alergia. No começo, tudo deve ser o mais próximo de líquido possível, afinal, antes ela só ingeria leite. Eu comecei com maçã, banana, pêra e mamão na dieta de frutas e com batatas na dieta de sal*.

As frutas devem ser raspadas e/ou amassadas. Não se deve passar pelo liquidificador.

Para a papinha de sal*, ela recomendou que oferecesse um alimento de cada vez para avaliar a aceitação e só depois fizesse misturas.

Como fazer a papinha de sal (segundo a pediatra)

Usar temperos naturais – como cebola, salsa, alho..
Cozinhar em água, sem óleo. Pode colocar um fio de azeite após o cozimento.
Não triturar no liquidificador, amassar com garfo.

É interessante que ela coma carnes, tanto de peixe como bovina. No caso da bovina, pode ser músculo. Cozinhe-o e utilize o caldo para cozinhar arroz. Assim, não é necessário dar a carne de fato para a criança. É melhor deixá-la aprender a mastigar e a engolir primeiro.

*Não usar sal de início. Quando usar, colocar bem pouco. Se estiver sem sal para você, está bom para o bebê.

Também é permitido oferecer sucos naturais de fruta. Sem adoção de açúcar. Se for de laranja, dê preferência às limas.

Beatriz não fez objeções à nova dieta. Come direitinho desde o primeiro dia e ainda pede mais. Exceto sucos. Outros líquidos que não sejam leite, ela recusa. É um assunto que tratarei com a pediatra na próxima consulta, porque me preocupo se ela ficará desidratada ou constipada. Se bem que, até agora, ela tem feito bastante cocô. Tem tido menos gases e estado menos irritada.

Dicas

bebê independente se alimentando sozinha!

bebê independente se alimentando sozinha!

Quando for começar a oferecer sólidos, peça que outra pessoa o faça. Normalmente, as crianças associam as mães ao aleitamento e se recusam outro tipo de alimentação oferecido por ela;

Tenha paciência! É uma bagunça mesmo. Não seja neurótica de “ah! tá sujando tudo”. Deixe a criança se interessar pelo alimento. Se ela quiser pegar a colher, deixe! Se ela quiser pegar a comida com a mãe, deixe. Não transforme a nova dieta no pesadelo dela. Ela pode tomar aversão à comida e será mais difícil reverter.

Algumas crianças demoram mais para aprender a comer. Tenha paciência! Uma hora vai! Geralmente, aqueles bebês que já tendem a pegar tudo o que vê pela frente e levar à boca são os que aceitam com mais facilidade a nova alimentação.

Não se apresse. Se seu bebê tem 4 meses, mas você pode amamentar com tranquilidade até os 6, por que se adiantar?

Dica fundamental: converse sempre com o pediatra!

O esquema de alimentação da criança está disponível na caderneta de saúde dela, dê uma lida!

Alimentação do bebê | ordenha do leite materno

Logo no início da lactação, meus seios ficavam extremamente cheios e Bia ainda era muito pequena para mamar tudo aquilo. Ainda no hospital, as enfermeiras me orientaram a fazer a ordenha o que evita o empedramento e a diminuição da produção de leite. Além disso, há também uma inflamação das mamas comuns neste período inicial, depois passa.

O processo de ordenha que me ensinaram era todo manual. É preciso manter um padrão de higiene alto para garantir a qualidade do leite ordenhado. Os cabelos devem ser presos, as mãos lavadas, o vidro da coleta esterilizado em água fervente e o uso de uma máscara nas vias aéreas. A ordenha deve iniciar com massagens circulares nas mamas de fora para dentro até chegar no bico. Depois, com a mão em forma de “C”, você vai pressionando o seio próximo à aureola. Era muito cansativo e em pouco tempo desisti de fazer a ordenha.

Fui orientada a não utilizar a bomba tira-leite porque, segundo algumas enfermeiras, ela poderia fissurar o bico dos seios. Então, nem me preocupei em comprar. Mas, agora, prestes a voltar ao trabalho preciso deixar leite para Beatriz. Quero que ela mame o meu leite exclusivamente até os seis meses. Fui lá e comprei uma bomba tira-leite da Avent. Tão mais prático!

Sabendo utilizar, é um item indispensável. Em apenas 10 minutos, ou até menos, consigo tirar cerca de 150 ml de leite. O suficiente para encher uma mamadeira pequena. Não fissura o seio e me proporciona uma tranquilidade em saber quanto de leite tenho para oferecer à Bia na quantidade ideal.

Fazendo a ordenha*

Há três formas de fazer a extração do leite: a manual, a com a bomba tira-leite manual e a com a bomba tira-leite elétrica. Em todos os casos, a esterilização é essencial. Procure um lugar sossegado, onde você se sinta relaxada. Se o bebê não estiver por perto, procure olhar uma foto dele – dizem que isso estimula a lactação.

Higienização

  • Escolha um frasco de vidro incolor com tampa plástica – os melhores são os de maionese ou de café solúvel.
  • Lave bem com água e sabão e depois ferva a tampa e o frasco por 15 minutos, contando o tempo a partir do início de fervura.
  • Escorra vidro e tampa sobre um pano limpo até secar.
  • Depois de secos feche bem o frasco.
  • Identifique o frasco de vidro onde vai colocar o leite com seu nome, data e hora da coleta.
  • Retire anéis, pulseiras e relógio.
  • Coloque uma touca ou um lenço no cabelo e amarre um lenço/tecido limpo na boca.
  • Lave as mãos até o cotovelo com água e sabão.
  • Lave as mamas apenas com água limpa.
  • Seque as mãos e as mamas com papel toalha, evitando deixar resíduo de papel, ou com um pano limpo.

Extração manual do leite materno

extração manual do leite materno

  • A seguir inicie a massagem das mamas: faça movimentos circulares com a ponta dos dedos em toda a aréola (parte escura da mama).
  • Continuando, massageie toda a mama, mantendo os movimentos circulares.
  • Coloque o polegar acima da linha onde acaba a aréola e os dedos indicador e médio abaixo dela.
  • Firme os dedos e empurre para trás em direção ao tronco.
  • Aperte o polegar contra os outros dedos com cuidado, até sair o leite.

Armazenagem do leite materno

  • Guarde o leite coletado no freezer ou congelador, bem tampado e devidamente identificado.
  • Se o frasco não ficar cheio você pode completá-lo em outra coleta (no mesmo dia), deixando sempre um espaço de dois dedos entre a boca do frasco e o leite. No outro dia, comece com outro frasco.
  • Se no seu local de trabalho houver uma sala própria para estes procedimentos, ao terminar, jogue no lixo os materiais descartáveis e arrume os equipamentos no lugar, deixando tudo em ordem para a próxima coleta.
  • O prazo de validade do leite cru é de 12 horas se guardado na geladeira e de 15 dias se estocado no freezer ou congelador.
  • Ao final da jornada de trabalho pegue uma sacola (ou caixa) térmica e coloque gelo retirado do freezer ou congelador.
  • Após certificar-se de que é o seu leite, coloque o frasco na sacola, feche-a e leve-a para casa.
  • Ao chegar em casa, coloque logo o frasco no freezer ou no congelador.

Consumo do leite materno congelado

  • Quando alguém, na sua ausência, for oferecer o leite para o seu bebê, o frasco deverá ser retirado do freezer e descongelado, de preferência, na geladeira.
  • Amorne o leite em banho-maria (água quente em fogo desligado), agitando o vidro lentamente para misturar os seus componentes. O leite não deve ser fervido e nem aquecido em microondas, pois este tipo de aquecimento pode destruir seus fatores de proteção.
  • Amorne apenas a quantidade de leite que o bebê for utilizar.
  • O leite morno que sobrar deve ser desprezado. O restante de leite descongelado e não aquecido poderá ser guardado na geladeira e utilizado no prazo de até 12 horas após o descongelamento.
  • Oferecer o leite em copinho, xícara ou colherinha. ( O Ministério da Saúde não recomenda o uso de mamadeiras. Fica a critério da mãe)

* As informações sobre ordenha, armazenagem e consumo do leite materno congelado são do Ministério da Saúde. Você pode saber mais sobre isso e os direitos da mãe trabalhadora na cartilha desenvolvida pelo MS.

Para ordenhas com bombas, siga o manual de instrução do aparelho.

Alimentação do bebê | Aleitamento Materno

A amamentação é um ponto essencial dentro da rotina do bebê. Ela e o sono (ou a falta deles) da criança são responsáveis por boa parte dos problemas que você encontrará no caminho na convivência com o bebê. É preciso paciência e atenção.

O Ministério da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses e acompanhado de sólidos até dois anos. “Criança que mama no peito não precisa de chupeta ou mamadeira e o uso destas podem prejudicar a amamentação”.

Salvo exceções, toda mãe é capaz de amamentar no peito. Mas o início é sempre o início e pode ser doloroso. Com o tempo, você se adapta e tudo melhora, passando a ser prazeroso amamentar.

No dia em que Bia nasceu, a enfermeira a colocou nos meus braços e disse “Tá na hora de mamar” e saiu andando. Por mais que já tivesse lido a respeito, surtei e a chamei de volta. “Ei! não sei como fazer isso”. Ela retornou e me orientou com todo o carinho do mundo.

A posição ideal é barriga com barriga. O bebê deve abocanhar toda a auréola e não somente o bico do peito. A boca fica como a de um peixinho. Esta é a chamada boa pega.

A posição ideal é barriga com barriga. O bebê deve abocanhar toda a auréola e não somente o bico do peito. A boca fica como a de um peixinho. Esta é a chamada boa pega.

No início, são quase inevitáveis as fissuras no bico dos seios. Afinal, além do aprendizado da técnica, tem a falta de costume. Basta cuidar para que o bebê faça a boa pega e dificilmente terás o bico rachado. Caso aconteça, use pomada de lanolina para hidratar ou até o próprio leite materno.

O aleitamento materno é bom para o bebê e para a mamãe. O leite contém anticorpos que vão garantir a saúde do pequeno, sem contar que previne a obesidade. Já a mamãe consegue voltar à velha forma mais rapidamente, o útero também é estimulado a voltar ao tamanho original e o aleitamento é uma forma de prevenção do câncer do colo do útero e de mama.

É certo que alguns bebês têm dificuldades de aprender a mamar no peito e algumas mães acabem desistindo. O que é uma pena diante de todos os benefícios do aleitamento materno. No geral, os pequenos já nascem sabendo como fazer. Para as mães que têm dificuldade, toda Unidade Básica de Saúde (Posto de Saúde)  tem um profissional dedicado ao tema “amamentação” para orienta-la no que for necessário. Bancos de Leite também são uma alternativa para buscar ajuda.

Sobre a alimentação da mãe que amamenta, é verdade que tudo que ela ingere é passado para o bebê o que não significa que determinados alimentos resultarão em algum problema para a criança. Isso varia de bebê para bebê. Bia, por exemplo, não teve problema com nenhum alimento que eu tenha comido. E olha que minha dieta não é das mais saudáveis, refrigerante, comidas apimentadas… como de tudo. Acredito que algumas crianças já tenham predisposição à “cólica”, independente da dieta da mãe – assim como é com os adultos e suas intolerâncias alimentares.

Agora, fica a dica, fumar diminui a produção e a qualidade do leite da mãe.

Como diminuir os enjôos do início da gravidez

Nem todas passam por isso, mas uma grande maioria sim e tem até pavor de lembrar depois (eu). Para começar, descobri que estava grávida por conta dos famigerados enjôos. Como sempre tive um apetite de duas pessoas e pouca frescura para comer, era muito estranho olhar para o meu prato de comida favorito e sentir vontade de vomitar. Fora a ressaca todos os dias de manhã, sem a parte boa de ter bebido na noite anterior. Foi a mudança na minha alimentação que me fez investigar e descobrir uma gestação de 8 semanas.

Os enjôos estão relacionados ao aumento da produção de HCG (sigla em inglês para Gonadotrofina Coriónica Humana), comum na gestante, que por sua vez é responsável pela produção de progesterona e estrogéno. Uma quantidade maior desses dois últimos provoca as ânsias e os vômitos.

Não existe nada milagroso para superar esta fase, a não ser o tempo – e tem gestante que sente isso a gravidez inteira. Eu, por exemplo, senti enjôos até o início do quinto mês. Voltei a ter refluxos e enjôos leves agora no oitavo. Ou seja, do quinto ao fim do sétimo mês eu fui um gestante muito mais estável, rs. Apesar de nada milagroso, há alguns cuidados que ajudam a amenizar estes indesejáveis.

Primeiramente, converse com seu ginecologista obstetra. Ele pode te receitar um remédio contra enjôo. O meu indicou Meclin a cada 8h. Mas a alimentação já resolve muita coisa. Atenção para estes cuidados:

  • Ao acordar, antes mesmo de sair da cama, coma umas três bolachas de água e sal;
  • Evite escovar os dentes logo que acorde (esta foi a pior parte, eu vomitava todo dia escovando os dentes de manhã) ou assim que comer. Dê um intervalo de uns 15 minutos;
  • Coma mais vezes em menores quantidades. Não deixe seu estômago vazio nem por um minuto e não exagere na quantidade de alimentos de uma vez. Procure fazer lanchinhos leves entre as refeições;
  • Tenha sempre bolachas de água e sal na bolsa;
  • Evite comidas gordurosas ou cremosas;
  • Não sei se funciona para todo mundo, mas alimentos cítricos e azedos me ajudavam a perder a ânsia de vômito. Suco de limão ou de abacaxi sem açúcar, picolé de limão antes e depois do almoço;
  • Água de coco sempre. Evite as de caixinha, os conservantes te fazem ter repulsa com o tempo;
  • Evite também alimentos muito temperados. Quanto mais insossa a comida, menos o seu organismo vai percebe-la e repudia-la.

Esta é só uma ajuda, algumas diquinhas que deram certo comigo e podem dar com você também. Mas, cada caso é um caso. Converse sempre com seu ginecologista obstetra.